9 de janeiro de 2012

A corrida pelos pobres - 2

Nessa rixa envolvendo quem deve ser pai ou mãe dos "pobres" - como visto aqui - fico com a tese do João Santana. É mais benéfico para Dilma ter a imagem de uma presidente que tem como prioridade ao combate à pobreza do que uma que seja fria, centrada na economia e infra-estrutura. O que está acontecendo, me parece, é a ressurreição da antipatia de muitos petistas contra Dilma, que foi escolha de Lula, mas para quem o PT, mesmo não tendo a então candidata como favorita, teve que abaixar a cabeça.

E é interessante notar os discursos pró-Lula agora. Uma figura disse aí que "o trabalho de combate a pobreza já foi feito", que não tem mais ninguém na rua para tirar. Ora, senhores, basta olhar o nosso IDH, nossa desigualdade gritante. Essa história que que Lula "fez o serviço" no que se refere ao combate à pobreza é falso.

Ainda há muito o que fazer, e João Santana é um publicitário brilhante, e sabe o que está fazendo a preferir mostrar Dilma como "mãe dos pobres". O que os petistas contra isso querem, afinal? Que Lula volte em 2014? Pode ser, mas ele vai ter que enfrentar uma presidente disposta a concorrer à reeleição. E, para isso, ela já sabe que o caminho das pedras é não haver o embate entre o "operário pai dos pobres" e a "gerente fria".

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